Artigo · Oração e vida interior
Quando o silêncio não é vazio
Há silêncios que assustam porque retiram nossas distrações. Mas é justamente aí que o coração pode voltar a escutar.

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O silêncio nem sempre é confortável. Quando o barulho diminui, encontramos perguntas que conseguimos adiar durante o dia. Algumas pessoas evitam esse encontro preenchendo cada intervalo com uma tela, uma notícia ou uma nova tarefa. Não é falta de fé. Muitas vezes, é apenas medo de ouvir o que está mais fundo.
Também na oração atravessamos períodos em que Deus parece calado. As palavras conhecidas perdem força, as emoções não ajudam e o coração se pergunta se ainda está sendo ouvido. Nessa hora, existe a tentação de medir a presença de Deus pelo que sentimos. Se não há consolo, pensamos que não há encontro.
Mas a oração não é uma técnica para produzir sensações. É relação. E toda relação verdadeira conhece momentos em que permanecer vale mais do que explicar. Diante de Deus, o silêncio pode ser um gesto de confiança: eu não compreendo tudo, não consigo organizar tudo, mas continuo aqui.
O silêncio cristão não é isolamento. Ele nos devolve à realidade com mais verdade. Quem aprende a escutar a própria alma percebe melhor a dor do outro, fala com menos pressa e escolhe com mais liberdade. O coração deixa de reagir automaticamente e começa a discernir.
Talvez, hoje, você não precise procurar uma frase perfeita. Sente-se por alguns minutos. Respire com calma. Apresente a Deus aquilo que existe, sem enfeitar: gratidão, cansaço, dúvida, medo ou esperança. Depois, não force uma resposta. Permita que a presença seja suficiente.
Há sementes que crescem sem ruído. Há curas que começam antes de conseguirmos nomeá-las. Há respostas que só se tornam compreensíveis quando o coração amadurece. Nem todo silêncio é ausência. Às vezes, é o espaço onde Deus prepara em nós uma escuta nova.
Senhor, não permitas que eu fuja de Ti quando as respostas não chegam. Ensina-me a permanecer e faz do meu silêncio um lugar de verdade, confiança e encontro. Amém.
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